Era uma vez uma senhora velhinha, que há muitos anos (ainda não havia automóveis) se sentava a fazer bonecas de trapo á porta da sua pequena loja de ervas secas. A loja ficava junto a um mercado e nesse tempo as crianças andavam sempre com os pais ou os avós e a ida ao mercado era tão divertida como agora ir ao Centro Comercial, ou talvez mais!
Havia patos, coelhos, galinhas, pombos, peixes de muitas cores, frutas e flores que, juntamente com grandes molhos de cenouras, rabanetes, e couves, criavam uma mistura única de sons e cheiros. As crianças não tinham medo de se perder. Toda a gente se conhecia e tinha nome. Lisboa parecia mais pequena.
Assim de vez em quando a manhã era passada junto à D. Carlota (era assim que se chamava) a espreitar as bonecas que ela ía fazendo. Depois conversando, sempre se ía contando os males das bonecas e ela, pouco a pouco, lá as ía consertando. Acho que foi assim que começou o Hospital de Bonecas!
Os anos passaram e o mercado acabou, mas as crianças de então, já mães e avós foram contando aos seus filhos que havia uma pequena loja onde o tempo passava um pouco mais devagar e onde sem pressas se podia brincar ao “faz de conta”. Ainda hoje é isso que fazemos.